quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

outlane, parte I

ps. esse post é gigante, vai demorar muito pra ler tudo.



hoje é quarta-feira, dia 12 de dezembro. já fazem dois dias.

eu me lembro como se fosse ontem, desde o começo, desde aquela primeira procura, as primeiras conversas, os primeiros acordes, as primeiras letras, os primeiros ensaios.

eu lembro, que em 2004, lá pelos idos de fevereiro, eu tinha decidido montar uma banda pra levar a sério. motivado por um sentimento, eu escrevi aquelas primeiras letras. 'me diz porquê', beirava o rídiculo de tão infantil, mas naquela época, pra mim, era quase um fernando pessoa. algum tempo depois, surgiu 'rosto no escuro', mais profunda, ainda infantil, simples, mas mesmo assim, me deixava feliz poder botar no papel aquelas coisas que eu sentia. então, munido de algumas poucas letras e muita coragem, saí procurando gente pra formar uma banda. na época, eu tive um projeto de um projeto de um projeto de banda, com o john, que não foi pra frente. deixei isso na geladeira, e saí procurando um baixista.


foi então, que pela internet, achei um tal de pedro, que tava afim de montar um cover de offspring.


marcamos o primeiro ensaio, tocamos até cansar. então depois de um tempo, a gente começou a pensar em fazer sons próprios. mostrei minhas idéias pra ele, que incrementou tudo que eu tinha feito até aquele momento com umas linhas absurdas de baixo. então, chamei o kadu (futuramente montaria a belfast com ele, que durou 2 anos e meio e deixou muitas saudades) pra ficar na outra guitarra. sua influência de 'hardcore de macho' acabou gerando 'vulcão interno' e 'o líder deve cair', e minha crise sentimental, gerou 'saudade e tristeza (regados a vinho tinto)' e 'mais um dia', música essa que foi a mais sincera que eu já escrevi até hoje. então, tinhamos uma pseudo-banda. depois de algum tempo, o kadu desencanou, e saiu da banda pra montar a no resistance, o embrião do que viria a ser a belfast um dia. (quem sabe eu num posto a história da belfast aqui também depois). então, lá estavamos nós, recheados de musiquinhas que pediam uma segunda guitarra. após alguns testes e muita procura, apareceu um doido querendo montar um cover de blink 182. conversa vai, conversa vem, 'ah, eu tenho uma banda que precisa de um guitarrista, você num tá afim de vir fazer um teste?'.


alguns dias depois, exatamente às 9 horas da manhã, aparecia no portão do meu prédio um sorridente thiago, com uma stratocaster preta e muita vontade de levar a banda pra frente.


apresentei o thiago pro pedro, então inúmeros ensaios no salão de festas do meu prédio vieram (mesmo sem baterista, porque o john não lembrava como tocar), acertamos cada vocal, cada palhetada, e na nossa cabeça, mesmo sem bateria, soavamos como a melhor banda do mundo. fomos pela primeira vez ao estúdio, com a banda completa, acho que chegamos a ir umas duas vezes nessa formação, e até tenho uma foto desse ensaio em algum lugar no meu pc de casa. de repente, o john falou que ia sair, e saiu. então, caçamos bateristas, e não paramos de ensaiar só nós três. cada vez mais músicas surgiam. então, inesperadamente, o pedro saiu da banda.

foi um puta choque na época, eu e o thiago ficamos perdidos, sem saber direito o que fazer. o pedro, claro, continuava nosso amigo (lembro-me muito bem do show do offspring que fomos juntos, marcante demais), não tinha porque brigar, era uma decisão dele. então, com muita coragem eu fui lá, comprei um baixo, a gente chamou o john de volta (só virtualmente, porque ele nunca mais tocou com a gente), e continuamos a outlane como um power-trio. os ensaios virtuais continuavam, mais músicas apareciam, então depois de aporrinhar demais o pedro, ele voltou pra banda. nessa época rolou a histórica viagem pra mococa, que renderia um post só dela, mas vou falar só os highlights.

invadimos o cemitério, fizemos da sala da minha vó um estúdio, o pedro agitando a caixa de leite (nunca vou te perdoar por essa!), o thiago deu o famoso sorriso-colgate, a gente viu aliens, tocamos dentro do ônibus, meus cds foram roubados, tiramos fotos, rimos, e fizemos música. acho que nunca, numa viagem, eu me senti tão assim, fazendo as coisas que eu amo fazer com os caras que mais me entendiam naquele momento.


depois de um tempo, o thiago saiu da banda. eu lembro que até tentei continuar sem ele, mesmo meio desanimado, eu chamei o kbl0 (da waltz alone, banda que eu entrei logo depois do começo da belfast, e que eu toco até hoje) e o tulipa (do finado no heroes, toquei com ele numa bandinha de cover com um ex-guitarra da waltz alone e o próprio kbl0, foi nesse projeto que o kbl0 resolveu me chamar pra banda dele), a gente ensaiou mas num virou. deixamos a outlane por um tempo na geladeira. eu tentei voltar com ela quando conheci o andré (amigo da faculdade, baterista, a gente sempre tinha tido problema com baterista, e agora que o pedro e o thiago num tavam mais na outlane, ele aparecia), ele fez uma letra, a gente resolveu tentar, chamei o dado (outro guitarrista da waltz alone) e o kbl0, foi legal até, mas num era a mesma coisa. num era outlane sem o thiago e o pedro, não mesmo.

eu chamei o thiago pra tocar, ele ensaiou uma vez, o kbl0 passou pro baixo, mas num foi a mesma coisa. aquela nossa química num tava presente. e eu tinha muito o que evoluir. isso, se não me engano, foi lá pra agosto de 2005. então, eu desencanei, decidi me dedicar full time às outras duas bandas. a belfast tava começando a crescer, gravamos cd, tocamos em vários lugares (um mais porco que o outro) e a waltz alone seguia seu rumo estável, tocando e tocando. 2006 veio, foi o meu ano mais tranquilo, alguns shows, namoro firme com a fe, e eu sentia uma enorme saudade da outlane. mas sabia que tanto o pedro quanto o thiago estavam em outra, o pedro com sua black fire e o thiago com a jiovanna, que acabou virando burnout&63 (que dividiu o palco com a waltz alone no final do ano), bandas que eles tocam até hoje. 2007 passou, a waltz alone parou suas atividades pra gravar um cd (que não saiu até agora, já faz quase um ano), a belfast fez alguns shows memoráveis (um inclusive organizado pela black fire do pedro, que fez um show que eu nunca vou esquecer), e depois de uma trágica performance no espaço impróprio (com direito a briga entre os integrantes, em cima do palco), a belfast acabou. eu lembro perfeitamente, quando veio à tona que a belfast ia mesmo acabar, eu comecei a lembrar demais da outlane, daqueles tempos áureos onde a gente tocava sem stress, a gente tocava porque amava aquilo, esse tipo de coisa (que aconteceu na belfast) nunca aconteceria lá. a gente tinha pretensões, óbvio, mas nada que pudesse acabar com a banda um dia. eu fiquei remoendo isso, pensando na outlane, pensando em todos as vezes que toquei com os dois, todas as músicas que fizemos juntos, e a mais ou menos um mês, tomei uma decisão definitiva.

continua no próximo post.